Entenda o que é VSM e seus 5 principais benefícios!

O Mapeamento de Fluxo de Valor pode não ser tão conhecido e comentado como a metodologia Lean, que o originou, mas é tão valioso quanto se a sua intenção é otimizar toda a rotina empresarial da sua companhia.

Por meio desse conjunto de procedimentos, é possível determinar o que agrega valor aos seus processos e incrementar essas etapas ou, até mesmo, conferir deficiências que limitam o crescimento da companhia. Preparamos um conteúdo especial para que você entenda bem o que é VSM, como aplicá-lo e seus principais benefícios. Vamos lá!

O que é VSM?

É a sigla para Value Stream Mapping ou Mapeamento do Fluxo de Valor. Basicamente, trata-se de um método de fluxograma para ilustrar, analisar e melhorar os passos necessários para entregar um produto ou serviço. Fundamental na metodologia enxuta (ou Lean, que vamos conhecer melhor adiante), o VSM é a ferramenta empregada na análise do fluxo das etapas e informações do processo, desde o início da criação até a entrega ao cliente.

Tal como ocorre com outros tipos de fluxogramas, o Mapeamento do Fluxo de Valor utiliza um sistema de símbolos próprios para representar as atividades de trabalho e os fluxos específicos de informação. O VSM é especialmente útil para encontrar e eliminar os desperdícios, sendo que os itens são mapeados de acordo com a respectiva agregação de valor ao cliente — nesse caso, tudo o que não adiciona melhorias é descartado.

O VSM engloba uma visão geral dos recursos próprios da companhia, desde o estado de matérias-primas até a entrega do produto ao cliente. Ele ajuda a manter esse foco nos consumidores finais, já que um exemplo típico de um processo de VSM é estimar um estado atual para a empresa e, em seguida, modelar um futuro após o mapeamento.

Assim, esses procedimentos determinarão, por exemplo, o quanto dos esforços empregados será transformado em repasse ao preço final do produto. Caso esse valor seja excessivo, é possível utilizar o VSM para identificar maneiras de utilizar melhor as matérias-primas e transformar o processo em uma quantia final mais acessível aos clientes.

Trata-se de uma ferramenta especialmente útil para realizar o mapeamento do fluxo de material e das informações associadas, além de monitorar e estimar o tempo de execução de cada tarefa (o lead time).

Como utilizá-los em projetos Lean Seis Sigma?

O Mapeamento do Fluxo de Valor é uma ferramenta derivada da metodologia de gerenciamento conhecida como Lean Manufacturing, ou simplesmente Lean. Hoje em dia, o uso dos fundamentos da produção estabelecidos por essa filosofia corporativa, unido aos conjuntos de práticas conhecidos como Seis Sigma, torna-se o mais inovador sistema de gestão atual: o Lean Seis Sigma.

Um dado interessante é que esse conjunto de ações se conecta diretamente ao início da metodologia enxuta (Lean), já que, no começo da década de 1950, a empresa japonesa Toyota iniciou a implantação dos métodos de Mapeamento do Fluxo de Valor, transformando toda a indústria de manufatura. Depois, essas funcionalidades foram evoluindo até chegarmos aos modelos Six Sigma e Lean Six Sigma.

A premissa básica desse modelo é elevar, de forma estruturada e exponencial, o desempenho geral de uma empresa como um todo. Contudo, para atingir isso, é uma ótima ideia recorrer a uma combinação que também envolva o Mapeamento do Fluxo do Valor.

Para integrá-los de forma adequada, é preciso estar atento a algumas questões. É essencial monitorar se os esforços empregados na melhoria dos processos se ajustam, de atividade em atividade, para que seja estabelecido um fluxo de valor constante. Além disso, é necessário checar se as melhorias são compatíveis com as metas e diretrizes da organização e se satisfazem adequadamente as demandas dos clientes externos.

Para realizar o VSM em projetos Lean Seis Sigma, é essencial acompanhar a trajetória da produção de um determinado produto desde o início. Ademais, é importante desenvolver uma representação visual do fluxo de material e de informação previamente.

Depois, é preciso identificar os principais focos de desperdício para, então, desenhar (com o auxílio de ícones) um mapa do desejo de estado futuro de como todos os processos devem fluir. Para isso, devem ser mapeadas todas as ações, tanto aquelas que agregam valor como as que não o fazem. Nesse sentido, para realizar o VSM, é necessário:

  • decidir o fluxo que se deseja mapear, seja apenas de um setor, seja da empresa inteira;
  • desenhar o modo desejado como se espera que o valor flua;
  • estimar e implementar o estado futuro da organização, ou seja, o patamar almejado.

Quais são seus benefícios?

1. Facilita a identificação dos processos mais significativos do setor e da empresa

Uma companhia apresenta diversos níveis de variação dentro da capacidade de produção. Em cada processo, o VSM ajuda a identificar os elementos mais críticos e seu devido impacto no resultado final. Esse conjunto de procedimentos vai proporcionar toda a informação necessária para gerenciar cada setor da empresa ou, até mesmo, a organização como um todo.

2. Agrega valor ao negócio e reforça a cultura organizacional

Com o VSM, é possível detalhar cada etapa importante do processo e mensurar como cada atividade está agregando valor do ponto de vista do cliente. Esse tipo de foco ajuda a manter a análise orientada para o que realmente importa — as diretrizes do negócio.

Diante da concorrência em mercados acirrados, profissionais bem treinados podem utilizar o Mapeamento do Fluxo de Valor para gerar melhoria contínua nas atividades, implementando etapas cada vez mais precisas. Nesse sentido, o VSM não é um instrumento para apenas apontar as deficiências, mas também para indicar as soluções para resolver esses gargalos.

Além disso, até por conta da sua natureza dinâmica, todo o processo de implantação e condução do VSM reforça a comunicação dentro da companhia, estabelecendo uma cultura organizacional de cooperação e companheirismo.

3. Motiva a redução drástica dos desperdícios que comprometem o processo

Uma das mudanças proporcionadas pela adoção direta do Mapeamento do Fluxo de Valor (MFV) é poder visualizar, com maior precisão, as inúmeras atividades e rotinas empresariais que não estejam agregando valor às atividades-fim da companhia.

Dessa forma, os tomadores de decisão identificarão, de maneira mais clara, o estado atual dos processos e os desperdícios que comprometem todo o negócio. Combatê-los proporciona um nível maior de produtividade, tornando a companhia mais flexível e competitiva.

A aplicação do VSM vai identificar determinados problemas, como:

  • atrasos nos processos;
  • períodos excessivos de inatividade;
  • dificuldades de mapeamento no inventário.

4. Auxilia a utilização de um sistema de indicadores de desempenho

Os elementos conhecidos como Key Performance Indicators (KPIs, ou indicadores-chave de desempenho) são usados para mensurar a performance dos aspectos críticos dentro de uma empresa. Eles são definidos pelos gestores que desejam avaliar, com mais precisão, a execução geral dos projetos da companhia.

O Mapeamento de Fluxo de Valor pode potencializar o alcance desses indicadores. A combinação de ambos vai otimizar todos os procedimentos de avaliação das rotinas produtivas e a verificação do cumprimento das metas estabelecidas.

5. Eleva a sustentabilidade geral do negócio

O crescimento sustentável pode ser definido como a iniciativa que possibilita à instituição expandir suas oportunidades de negócio ao mesmo tempo em que fornece capacitação aos seus colaboradores e melhora a sua infraestrutura.

Com o mercado cada vez mais acirrado, é necessário buscar proatividade. Isso pode ser feito por meio da implementação de metodologias e de funcionalidades que proporcionam sustentabilidade ao negócio, assegurando a sobrevivência e o sucesso da organização em seu ramo de atividade.

Como desenhar um VSM?

Agora, vamos estabelecer como desenvolver o Mapeamento do Fluxo de Valor de uma organização. Antes de tudo, é importante destacar que o processo de realização e condução desse diagrama deve envolver um amplo número de colaboradores, associados ao setor que os gestores desejam avaliar.

Dessa forma, com o destaque de vários profissionais valiosos para a empresa, vai ser mais fácil identificar lacunas e gargalos em cada setor. Vamos conhecer as etapas necessárias a seguir!

Identifique a família de produtos

O primeiro passo para desenvolver o projeto de forma satisfatória é identificar quais são as famílias de produtos que serão mapeadas dentro daquela cadeia específica de valor. Essas famílias devem ser designadas de acordo com o processo de produção — os insumos que passam por procedimentos similares e são desenvolvidos com equipamentos em comum são considerados membros de um grupo comum.

É essencial que a empresa se concentre nos setores mais críticos dentro da organização, mas sempre levando em consideração o ponto de vista do cliente.

Desenhe o processo atual

Para concretizar projeções futuras mais precisas, é necessário que a companhia determine a sua própria situação. Assim, é fundamental reunir os gestores e os líderes gerais para realizar uma auditoria em cada etapa de produção com o intuito de identificar os fluxos de materiais e informações que serão agrupados para um mapeamento mais adequado. Alguns dos dados que devem ser utilizados na criação do desenho são:

  • estoque geral;
  • número de colaboradores em cada setor;
  • turnos em que a empresa opera;
  • tempo do ciclo de realização das atividades;
  • volume de trocas;
  • taxa geral de desperdício;
  • índice de rejeição.

Após coletarem todas essas informações, as equipes destinadas para a execução do diagrama podem iniciar os seus trabalhos. Essa fase é aquela em que são utilizados símbolos destinados a representar o fluxo de materiais, ícones retirados diretamente da metodologia Lean.

Avalie o fluxo de valor

Com o diagrama já devidamente estruturado, é chegada a hora de elencar as principais fontes de desperdício, e o melhor: desenvolver meios de combatê-las efetivamente. Aqui, o objetivo é criar uma cadeia de etapas em que todos os passos estejam diretamente atrelados aos clientes por meio de um método conhecido como fluxo puxado — organizar a produção a partir do que o cliente realmente tem consumido, não do que é previsto que ele consuma.

Antes de criar o mapa da situação futura da companhia, a empresa deve responder a algumas questões importantes:

  • Quais são as melhorias necessárias para otimizar os processos?
  • Qual é o tempo de produção (também conhecido como takt time)?
  • Quais são os principais focos de desperdícios?
  • Como combater as principais deficiências?
  • O que agrega valor e o que pode ser dispensado?

Defina o estado futuro

Com base no desenvolvimento do VSM e dos passos anteriores, a organização já será capaz de projetar o seu estado ideal de funcionamento. Com as respostas obtidas, é possível remover atividades que não estejam gerando vantagem competitiva e propor alternativas, além de introduzir melhorias aos processos que apresentam deficiências.

Crie um plano de ação

Como os gestores já terão uma visão privilegiada de toda a cadeia produtiva, é hora das ações práticas. A boa notícia é que há um bom número de ferramentas idealizadas para realizar esse gerenciamento, como Kaizen, 5WH2 e DMAIC. O intuito dessa fase é repassar às equipes tudo que é realmente necessário para que seja realizada a transição para o patamar desejado de atuação.

O VSM pode ser utilizado em diferentes áreas?

A ferramenta se adapta perfeitamente a diversos tipos de atividade comercial. Um deles é a manufatura: nesse ramo, o VSM será utilizado para encontrar focos de desperdício nos processos de produção ao analisar cada etapa dos procedimentos de manuseio de materiais e do fluxo de informações como um todo.

Outro setor que se beneficia ativamente do VSM é a área de logística de suprimentos. Aqui, a ferramenta é utilizada para identificar e combater diversos tipos de desperdícios e atrasos nas atividades. Em escritórios e ambientes administrativos, é possível, ainda, encontrar formas de elevar o nível do serviço prestado aos clientes internos.

Com a tecnologia cada vez mais presente em diversos tipos de negócio, é natural que as metodologias e ferramentas de gerenciamento se adaptem para atender às novas demandas. Na área de engenharia e desenvolvimento de softwares, o VSM é empregado para visualizar ineficiências na criação de novas soluções digitais, incluindo ciclos direcionados aos feedbacks e ajudando a evitar o retrabalho.

Como vimos, o processo de criação de um Mapeamento do Fluxo de Valor pode ser bastante desgastante. Apesar das diversas etapas e particularidades, o retorno final é extremamente positivo.

Agora que você já entende o que é VSM e as suas ligações com a metodologia Lean, sua empresa já pode reduzir, de forma significativa, os principais problemas que estejam mitigando seus lucros e o valor de mercado. Com a concentração no fluxo de valor, é possível realizar uma gestão mais eficiente de projetos.

Gostou do conteúdo e quer saber mais sobre como implantar o VSM em sua empresa e ainda conhecer soluções digitais de ponta? Então, entre em contato conosco e conheça o nosso trabalho!

Rodrigo Cavallari

Sobre Rodrigo Cavallari

Desenvolvedor de software, trabalha com Desenvolvimento há 3 anos e respira programação.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *